Uefa questiona formalmente a Fifa sobre possíveis conflitos de interesse entre Gianni Infantino e Donald Trump. Em uma carta enviada após a reunião do Conselho da Fifa, a entidade europeia exigiu esclarecimentos sobre acordos e intervenções envolvendo Trump e pessoas próximas a ele.
Os pontos levantados incluem o arrendamento de um escritório na Trump Tower, um suposto patrocínio da Copa do Mundo com a empresa Kalshi e discussões sobre uma criptomoeda da Fifa, além da participação de familiares de Trump em eventos da federação. A Uefa destacou a necessidade de respostas sobre “questões sérias relativas a potenciais conflitos de interesses, transparência e responsabilidade institucional”.
A Uefa também questionou se Infantino possui algum contrato ou benefício econômico ligado à Fifa Football Enterprise (FFE), um projeto que pretendia vender parte dos direitos comerciais do futebol a investidores ligados a Trump, mas que foi abandonado após críticas. Fontes informam que havia previsão de remuneração de até US$ 30 milhões anuais para Infantino se o projeto fosse adiante.
Governança
Além do relacionamento com Trump, a Uefa já havia enviado 42 perguntas à Fifa sobre governança e procedimentos internos. A carta abordou temas como a venda de jogadores da Copa do Mundo e a condução das eleições presidenciais da entidade. Durante a reunião do Conselho, advogados da Fifa tentaram justificar o projeto da FFE, mas sem sucesso.
Infantino afirmou que responderia às perguntas por escrito, mas a Fifa já comunicou que não pretende cumprir o prazo dado pela Uefa, que é de duas semanas até o início de novembro, sob a justificativa de que precisa preservar a confidencialidade das comunicações internas.
Eleições
A Uefa também levantou questões sobre a independência de Bruno Chiomento, presidente do Comitê Eleitoral da Fifa, alegando que ele teve despesas custeadas pela entidade em vários eventos. A carta questiona se a Fifa considera afastar Chiomento durante o processo eleitoral e o papel do secretário-geral Mattias Grafström, que declarou apoio a Infantino no período eleitoral.
As eleições presidenciais da Fifa estão previstas para o Congresso anual em março, em Rabat, onde Infantino buscará a reeleição em meio à maior crise institucional desde o FifaGate, em 2015.

