Sérgio Barboza Jr., conhecido como o Jogador Dublê, fez história ao se tornar o primeiro jogador de linha a atuar pelas seis confederações da FIFA. Sua jornada pelo futebol não seguiu o roteiro tradicional, uma vez que ele se distanciou dos grandes clubes e ganhou notoriedade ao contar os bastidores do esporte pelas redes sociais, especialmente no Instagram, onde já acumula mais de 200 mil seguidores.
O caminho de Sérgio começou na base do Flamengo, onde teve a oportunidade de treinar ao lado de ídolos como Ronaldinho Gaúcho. No entanto, ao migrar para o profissional no Macaé, ele se deparou com a dura realidade do futebol: “Na base, eu era tratado como um rei. No profissional, era só mais um jogador em busca de espaço”, conta. Após uma série de transições entre clubes e uma crescente desmotivação, ele decidiu mudar de rumo e começou a cursar Educação Física.
A virada na carreira de Sérgio aconteceu com um convite inesperado para jogar na Costa Rica. Sem saber sobre salários ou condições, ele embarcou nessa nova aventura, que o levou a uma década fora do Brasil, passando por clubes menos conhecidos e jogando em cinco confederações continentais. Em setembro do ano passado, ele finalmente atuou na última que lhe faltava: a Confederação de Futebol da Oceania (OFC).
Caminho até a Oceania
A viagem para o Taiti foi custeada por Sérgio, que chegou sem clube e com apenas uma semana para regularizar sua documentação antes do fechamento da janela de transferências. Apesar das dificuldades enfrentadas pela burocracia, ele conseguiu firmar um acordo com o AS Tohie’a Football Club para disputar quatro a cinco partidas em troca de hospedagem e visibilidade nas redes sociais. Sérgio se destacou em campo, marcando dois gols e dando uma assistência.
Jogador que também é influencer
Desde os tempos do Orkut, Sérgio sempre foi ativo nas redes sociais. Ele viu uma oportunidade de contar sua própria história e desconstruir a imagem de um jogador de futebol ligada apenas a salários altos e grandes estádios. Sua conta no Instagram, que ganhou o nome de Jogador Dublê, surgiu de uma brincadeira com amigos e, ao longo do tempo, se transformou em uma plataforma para dar voz a outros atletas que enfrentam desafios semelhantes.
O que é chegar no ‘topo do futebol’?
Sérgio acredita que a realização pessoal vai além de jogar em grandes clubes: “O importante é estar feliz, não só no futebol, mas em qualquer lugar. Jogar em Angola e jogar no Barcelona são experiências diferentes, mas, no final, é apenas futebol”, diz. Para ele, o que conta é o salário que recebe e a capacidade de ajudar a família com isso, ressaltando que estar em campo, mesmo longe do glamour, é uma escolha preferível a estar em um trabalho que não o satisfaça.
Retorno ao Brasil
Com a experiência adquirida, Sérgio já tem planos para seu retorno ao Brasil. Ele sonha em estrear no Maracanã, um desejo que não conseguiu realizar quando passou pelo Macaé. Embora ainda não tenha um contrato assinado, está em conversas com clubes do Rio de Janeiro para tornar esse sonho uma realidade e pretende levar seu público nas redes sociais junto nessa jornada.
“Nunca joguei no Maracanã, então seria uma realização. Estou conversando com alguns clubes para trazer seguidores e continuar mostrando os bastidores”, finaliza. A trajetória de Sérgio Barboza Jr. é um potente lembrete de que, no futebol, a realização pode acontecer fora do foco habitual, e que a verdadeira paixão pelo esporte muitas vezes se revela nos caminhos menos percorridos.

