Quatro das principais ligas de futebol da Europa — Premier League, Bundesliga, LaLiga e Serie A — emitiram um comunicado em conjunto nesta sexta-feira (25) reivindicando reformas urgentes na governança da FIFA. As entidades solicitam uma descentralização do poder e limites mais claros para a atuação do presidente Gianni Infantino.
A principal reclamação dos dirigentes está relacionada à concentração excessiva de poderes na presidência da FIFA. No documento, eles destacam que o cargo atual acumula funções políticas, comerciais e regulatórias sem os devidos controles e contrapesos institucionais.
“O futuro da FIFA importa para todas as pessoas que se preocupam com o futebol, porque nosso esporte não pode crescer em todo o mundo se suas bases forem enfraquecidas.”
Pressão contra projetos comerciais
O descontentamento aumentou principalmente após a controvérsia envolvendo o projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), que pretendia abrir espaço para investidores privados nas receitas e operações de competições internacionais, incluindo a Copa do Mundo. A forte reação de federações e confederações levou a FIFA a recuar e abandonar a proposta. Antes do cancelamento, a iniciativa causou uma crise interna, culminando na demissão do então diretor de operações, Kevin Lamour, que havia classificado o projeto como “o projeto de uma única pessoa”.
Impasse sobre o calendário internacional
As ligas europeias também enfatizam os prejuízos provocados pelas alterações no Calendário Internacional de Jogos. A ampliação dos períodos de paralisação dos campeonatos locais gera constantes atritos, uma vez que tais decisões ocorrem sem um debate adequado. O manifesto destaca que apenas cerca de 1% dos atletas profissionais tem a oportunidade de disputar a Copa do Mundo, e menciona uma denúncia formal apresentada à Comissão Europeia, em outubro de 2024, contra o modelo de gestão de datas adotado pela FIFA.
Para resolver esse impasse, as ligas pedem a criação de um órgão deliberativo permanente que inclua clubes, federações, ligas e atletas, visando avaliações independentes antes da aprovação de grandes projetos e uma separação clara entre regulação e interesses comerciais da entidade máxima do futebol.



