Remo vive calvário na Série A e tenta evitar nova reconstrução do elenco em 2027
O Remo disputa a Série A depois de 32 anos, mas a situação é complicada: o time paraense tem menos de 1% de chance de permanecer na elite do futebol brasileiro. Atual 19ª colocação, o Remo vive um calvário em sua jornada para não ser rebaixado.
Na partida contra o vice-líder Palmeiras, na próxima quinta-feira, no Nubank Parque, o Remo luta contra o rebaixamento quase desde o início do campeonato. Sua campanha instável inclui uma série de 12 jogos sem vitória, que foi encerrada recentemente após 94 dias. A equipe de Belém passou a maior parte do primeiro turno presa na zona de rebaixamento, figurando fora dela apenas em duas rodadas até agora. Com 29 pontos, o time está a nove do Internacional, o primeiro fora do Z4, e possui 99% de probabilidade de rebaixamento, segundo o departamento de estatística da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
“A gente sabia desde o início que era um campeonato duro. Acho que faltou um pouco a questão do planejamento no início do ano. Começamos o campeonato e depois tivemos que trocar a roda do carro com o carro andando”, diz o executivo de futebol Luís Vagner Vivian ao Futebol News.
O dirigente se refere às profundas mudanças no elenco, que resultaram em mais de 20 saídas e 12 contratações sob sua gestão, além da troca de três treinadores: Juan Carlos Osório, Léo Condé e Thiago Carpini, atual técnico.
“É um custo alto para o clube. Esses jogadores que tu tem que tirar são jogadores que tu deixa de trazer. É dinheiro que poderia ter sido melhor investido”, reconhece o executivo.
“Vejo que o clube sofreu um pouco com isso em termos de investimentos, não só no elenco, mas também com estrutura, processos profissionais.” – Luís Vagner Vivian
Com a menor receita anual entre todos os 20 clubes da Série A e a segunda folha salarial mais baixa, o Remo foi buscar alternativas que não onerar seus cofres. Um exemplo é Duplex Tchamba, um zagueiro camaronês que, apesar da situação financeira, fez bons jogos e ainda entrou para a história ao ser convocado para a seleção camaronesa enquanto defendia o clube.
Contratos longos para evitar nova reformulação
Neste ano, o clube começou a profissionalizar seus processos, criando um setor de análise de mercado e inteligência. Além disso, costurou contratos longos com a maioria dos atletas para garantir uma base em 2027 e evitar uma nova reformulação no elenco, independente da divisão em que estiver.
Aproximadamente metade do time tem contrato até o fim de 2027, e a ideia é evitar a perda de muitos jogadores como ocorreu anteriormente. Quase todo o time titular possui contratos longos, incluindo Jajá, artilheiro do Remo no Brasileirão, com nove gols e vínculo até dezembro de 2028, chamando a atenção de clubes como Botafogo, Cruzeiro, Athletico-PR e até mesmo o Krasnodar, da Rússia.
“É importante esse legado que a gente vai tentar deixar sempre nos clubes por onde passa: deixar um elenco organizado pro próximo ano, indiferente da divisão em que o clube esteja”, afirma Luís Vagner.

