Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, criticou o Corinthians pelos atrasos recorrentes nas parcelas de um acordo junto à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). Em entrevista, o dirigente afirmou que a postura do órgão da CBF é complacente com a inadimplência do clube paulista e desaprovou a negociação do Corinthians com a Caixa Econômica Federal para a quitação da dívida da Neo Química Arena em troca do naming rights.
O Corinthians, por sua vez, reafirmou seu compromisso em regularizar a situação e destacou que está trabalhando para cumprir suas obrigações financeiras dentro de um processo de reestruturação iniciado por sua direção.
Dresch classificou o plano de pagamento da CNRD como um “plano fracassado”, argumentando que permite ao Corinthians acumular dívidas ao longo dos anos sem a incidência de juros, o que prejudica os credores. “É como se nós, os devedores, financiassem a dívida do credor sem cobrar nada”, declarou.
Pelo acordo firmado, o Corinthians deveria pagar R$ 18 milhões ao Cuiabá, mas até agora apenas R$ 2 milhões foram quitados. O débito atual do Corinthians com o Cuiabá é de R$ 16,3 milhões, e a falta desse repasse, segundo Dresch, gerou prejuízos que forçaram o clube mato-grossense a contrair empréstimos.
“Atualmente, estamos pagando cerca de R$ 250 mil por mês de juros a bancos devido a essa situação”, ressaltou o presidente do Cuiabá. Ele também acredita que a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) deverá intervir nas dívidas do Corinthians, possivelmente acarretando perda de pontos ou até rebaixamento.
Dresch também criticou a renegociação entre o Corinthians e a Caixa para o pagamento da dívida da Neo Química Arena, classificando-a como um privilégio político. “O dinheiro usado para essa negociação é público, e tal acordo não faz sentido sem que haja igualdade para todos os clubes”, afirmou.
Além disso, o presidente do Cuiabá apontou que a falta de recursos, incluindo débitos de outros clubes, resultou em um aumento da dívida do Cuiabá, que saltou de R$ 12 milhões para R$ 35 milhões em três anos. Para enfrentar essa situação, o clube reduziu sua folha salarial, mas continua investindo na formação de jogadores em torno de R$ 9 milhões por ano, esperando colher frutos nos próximos anos.

