A Fifa arrecadou aproximadamente US$ 5 bilhões com a venda de ingressos e pacotes de hospitalidade da Copa do Mundo de 2026, um montante que representa um terço da receita total de US$ 15 bilhões gerada pelo torneio. A informação é do jornal britânico The Times, que citou fontes ligadas às finanças da competição.
Esse valor supera em US$ 1,7 bilhão a previsão inicial da entidade para o segmento, que era de US$ 3,3 bilhões. A arrecadação foi alcançada mesmo com algumas partidas da fase de grupos apresentando ingressos ainda disponíveis.
Estratégia
De acordo com a publicação, a Fifa utilizou sua própria plataforma de vendas e encaminhou uma quantidade significativa de entradas não vendidas para o mercado de revenda, mantendo assim os preços estáveis.
O montante arrecadado com ingressos e hospitalidade foi mais de cinco vezes superior ao registrado na Copa do Mundo do Catar 2022, que teve uma receita de US$ 929 milhões nesse segmento. A edição de 2026 contou com 40 partidas adicionais e o aumento no número de seleções participantes, que passou de 32 para 48 equipes.
Pronunciamento
A Fifa não confirmou oficialmente os números divulgados pelo The Times, mas ressaltou o impacto financeiro do torneio em comunicado ao jornal. A entidade afirmou: “As receitas geradas pelo torneio proporcionarão recursos sem precedentes para que as federações membro da Fifa invistam no futebol.”
Além disso, a Fifa apresentou ao seu Conselho uma proposta para aumentar os recursos destinados às federações nacionais, com planos de elevar o financiamento de US$ 6,35 bilhões para o período de 2027-2030.
Transparência
A divulgação dos resultados financeiros ocorre em meio a demandas por maior transparência nas operações da entidade e em suas decisões administrativas. O próximo relatório financeiro da Fifa será aguardado de perto por federações nacionais, grupos de torcedores e outras partes interessadas.
Embora a receita total de US$ 15 bilhões relacionada ao Mundial seja significativa, a distribuição dos recursos às federações gerou debates internos. O presidente Gianni Infantino inicialmente previu repasses de US$ 10 milhões por federação ao longo de quatro anos, mas, após apelos de dirigentes da Uefa e da Concacaf, o valor foi revisto e aumentou para US$ 25 milhões por associação no ciclo.
Direitos
O debate sobre a gestão financeira da Fifa também se expandiu para propostas relacionadas à exploração comercial de seus ativos. Uma delas, a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), previa a transferência dos direitos comerciais da Fifa para uma nova empresa em troca de US$ 4,2 bilhões. Contudo, a proposta encontrou resistência e foi retirada após repercussões negativas.
Essa desistência marcou a segunda tentativa de negociação dos direitos comerciais da Fifa sob a gestão de Infantino, já que uma proposta anterior envolvendo o grupo SoftBank também não prosperou.
Ingressos
A política de preços para a Copa do Mundo 2026 gerou críticas de torcedores, que argumentaram que os valores tornaram o acesso ao torneio difícil, especialmente para aqueles que frequentemente acompanham suas seleções em competições internacionais.
A Fifa informou que disponibilizou mais de 100 mil ingressos por US$ 60, incluindo mais de mil entradas para a final, mas esse número representou apenas 1,47% dos 6,81 milhões de ingressos vendidos. Grupos de torcedores avaliam que o preço favoreceu pessoas de maior poder aquisitivo e alterou o perfil do público nos estádios, reduzindo a participação de fãs de outros países.

