As chuvas intensas provocadas pelo fenômeno El Niño já começam a impactar gravemente os gramados de futebol no Brasil, especialmente em relação ao calendário do Brasileirão de 2026. Os efeitos da alteração no regime de chuvas já são perceptíveis, com atrasos e adiamentos de partidas em diversas regiões do país.
Com o fenômeno atingindo seu pico de intensidade nas próximas semanas, a expectativa é que o aquecimento do Oceano Pacífico contribua para registros de chuvas excessivas, o que pode prejudicar ainda mais as condições dos campos e afetar a integridade das partidas.
Desde o início do El Niño, a situação tem sido mais crítica principalmente no Sul, Sudeste e Norte do Brasil, onde a drenagem dos estádios tem enfrentado dificuldades devido ao volume excessivo de água.
A atrasos nos jogos
O El Niño vem sendo associado ao aumento na frequência de eventos climáticos extremos, conforme aponta o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No Norte, por exemplo, chuvas convectivas oriundas da Amazônia têm causado pancadas intensas e rápidas, dificultando as condições de jogo.
Casos notáveis incluem a partida entre Remo e Palmeiras, realizada em 10 de maio, que começou com 1 hora e 40 minutos de atraso em Belém (PA) devido a um forte temporal. O gramado foi alagado, e a drenagem levou tempo para recuperar as condições adequadas de jogo. O duelo terminou empatado em 1 a 1.
Outro exemplo ocorreu em 18 de abril, quando a partida entre Moto Club e Sampaio Corrêa teve que ser adiada em São Luís (MA), pois o estádio Nhozinho Santos ficou completamente alagado após fortes chuvas.
Mais recentemente, em 21 de setembro, a partida entre Criciúma e Operário-PR pela Série B precisou ser remarcada depois que as condições meteorológicas em Santa Catarina se tornaram inadequadas, com alertas de chuvas intensas e ventos fortes emitidos pelo Inmet.
Previsão de mais chuvas
A expectativa é de que o fenômeno El Niño se intensifique entre outubro e novembro, períodos críticos em que podem ocorrer os episódios de maior atividade atmosférica. Segundo o Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a combinação do El Niño com alterações climáticas decorrentes do aquecimento global pode resultar em chuvas cada vez mais frequentes e intensas no Brasil, especialmente nas regiões mais afetadas.
O meteorologista Piter Scheuer adverte que, embora não haja previsão de tempestades diárias, o padrão atmosférico reforça a atenção para episódios severos e chuvas intensas nesses meses, o que requer um acompanhamento próximo das condições climáticas que impactam o futebol brasileiro.

