A Data FIFA que ocorreu entre 21 de setembro e 6 de outubro trouxe uma pausa de 16 dias para o futebol brasileiro, unificando dois períodos que tradicionalmente tinham nove dias. Essa janela internacional permitiu que as seleções jogassem até quatro partidas, enquanto os clubes viram uma oportunidade para recuperar jogadores e ajustar aspectos físicos antes da retomada da temporada.
Os impactos, no entanto, variam entre os atletas. Aqueles que permaneceram nos clubes podem se beneficiar do descanso, enquanto os convocados enfrentam a carga adicional de jogos, viagens e mudanças de rotinas. Segundo Júlia Werneck, fisioterapeuta esportiva, o descanso é crucial. “Para os jogadores que ficam, o principal ganho é o descanso, já que o calendário é muito intenso. Isso significa mais tempo para treinos de força e recuperação”, explica.
Jogadores em recuperação de lesões também podem usar esse tempo para voltar gradualmente às atividades sem o estresse de uma sequência imediata de jogos. No entanto, a interrupção nos treinos não é recomendada. “Apesar do tempo maior sem jogos, os clubes devem manter a condição física dos jogadores por meio de treinos de fortalecimento e necessidades específicas”, complementa Júlia.
Pausa não significa ficar parado
A pausa de 16 dias também levanta preocupações sobre o ritmo de jogo dos atletas. A falta de partidas pode resultar na perda do ritmo competitivo, mas isso pode ser rapidamente restaurado mediante uma preparação adequada. A Data FIFA mais longa pode servir como uma janela de ajuste, permitindo que clubes individualizem os treinos de acordo com as necessidades físicas de cada jogador.
Convocados vivem cenário diferente
Para os jogadores convocados, a realidade é diferente. A carga de jogos, viagens e mudanças de rotina pode aumentar o nível de desgaste. “Alguns podem disputar até quatro partidas, e aqueles que jogam mais precisam de atenção especial ao voltar, com recuperação adequada e controle de carga”, alerta Júlia.
A comunicação entre clubes e seleções é crucial nesse cenário. O acompanhamento da minutagem e da carga de treinamento pode orientar a reintegração dos atletas aos seus clubes após a janela internacional. A especialista ressalta que o impacto da pausa depende da forma como cada clube utiliza esses 16 dias, com potencial para recuperação ou sobrecarga, dependendo da situação de cada jogador.
“Essa pausa pode ser benéfica, permitindo recuperação para os que estavam sobrecarregados e, se bem administrada, pode resultar em um bom ritmo para o restante da temporada”, conclui.

