A Uefa e suas 55 associações afirmaram rompimento com a FIFA e anunciaram que nenhuma seleção nacional da Uefa participará de competições da FIFA enquanto o projeto da FIFA Forward Enterprise (FFE) estiver em vigor. A decisão foi tomada em resposta aos interesses comerciais da Fifa e à proposta de transferir direitos da Copa do Mundo a investidores privados.
A FFE, avaliada em US$ 20 bilhões, concentraria ativos comerciais da FIFA, incluindo os direitos da Copa do Mundo, da Copa do Mundo Feminina e do Mundial de Clubes. A FIFA pretende vender cerca de 20% da empresa para levantar aproximadamente US$ 4,2 bilhões.
Em nota, a Uefa declarou que o futebol “não pode ser tratado como um produto de investimento” e acusa a FIFA de colocar as federações nacionais em uma situação delicada. Além disso, a entidade europeia convocou uma reunião emergencial para discutir o assunto, expressando uma oposição firme ao modelo proposto pela FIFA.
– “A Copa do Mundo da FIFA pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, ela jamais estará à venda”, afirmaram os dirigentes da Uefa, em um forte comunicado. Eles ressaltaram que a proposta da FIFA foi elaborada sem consulta significativa aos gestores do esporte e que a resposta da Uefa é uma defesa do legado do futebol.
Esse descontentamento pode impactar a participação de seleções europeias na Copa do Mundo Feminina, que será realizada em breve. As eliminatórias da Europa para o Mundial de 2026 já têm jogos agendados, mas o futuro dessas partidas agora está incerto, dependendo da evolução das negociações entre as entidades.
Entenda o que é a FIFA Forward Enterprise
A FIFA Forward Enterprise visa transferir parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores, gerando uma disputa política no futebol mundial. Essa iniciativa intensifica o racha institucional controlado pelo presidente Gianni Infantino, que busca aprovação até o dia 19 de setembro para a adesão das federações ao novo modelo.
A proposta foi vista como um teste de fidelidade política, com a FIFA prometendo US$ 20 milhões imediatos às federações que aderirem e deixando claro que aqueles que não aceitarem continuarão recebendo valores menores. A recepção negativa da Uefa pode resultar em consequências dramáticas para a governança do futebol nos próximos anos.


