A Uefa questionou formalmente a Fifa sobre a conduta e a imparcialidade do seu Comitê de Ética, levantando críticas a respeito de favorecimento político na África e omissões em casos envolvendo dirigentes aliados da presidência de Gianni Infantino.
Os principais alvos das indagações são Martin Ngoga, presidente da Câmara de Investigação, e Maria Claudia Rojas, presidente da Câmara de Julgamento. A Uefa destaca que Ngoga tem vínculos com o presidente de Ruanda, Paul Kagame, que é próximo de Infantino. A situação se complica ainda mais com a Federação Norueguesa de Futebol apresentando uma representação contra Infantino, mencionando premiações a políticos e propostas de venda de ativos da Copa do Mundo.
A Uefa indaga: “Como foram avaliadas quaisquer preocupações potenciais em relação à independência e imparcialidade do Sr. Ngoga em casos envolvendo o presidente da Fifa?” Eles também perguntam se Ngoga se absteria de participar de processos relacionados a Infantino.
Relações Políticas e Desdobramentos
Além de Ngoga, a Uefa questiona Rojas sobre sua conexão com ex-dirigentes da Federação Colombiana de Futebol que apoiam a gestão atual. Essa estrutura judiciária reformada foi estabelecida em 2016, quando mudanças estatutárias permitiram a indicação de membros pelo comando da entidade para ratificação posterior pelo congresso.
Casos na África
As dúvidas da Uefa se estendem ao episódio da República Democrática do Congo, onde a federação local, presidida por Veron Mosengo Omba (aliado de Infantino), não foi punida apesar de constatações da inelegibilidade de atletas durante as eliminatórias para a Copa do Mundo.
A Uefa está buscando esclarecimentos sobre a falta de sanções, como a perda de jogos por WO, e questiona se a Fifa interveio em decisões disciplinares que envolvessem a presidência da entidade.
Omissões em Djibuti e Somália
No Djibuti, o presidente local e conselheiro da Fifa, Souleiman Waberi, foi destituído pela polícia, mas se beneficiou de respaldo da Fifa, apesar das acusações de apropriação indébita. Semelhantes omissões foram relatadas na Somália, onde a permanência de Ali Abdi Mohamed no cargo, mesmo após votações pelo seu afastamento, levanta questões sobre a integridade da gestão.
Essas circunstâncias ocorrem em um contexto em que a Fifa se prepara para eleições presidenciais em março de 2027, aumentando a pressão sobre Infantino e seu gabinete.

