Entre 2020 e 2026, o Campeonato Brasileiro registrou um total de 156 trocas de treinadores, refletindo uma média de 23 mudanças por temporada. Neste ano, até a 28ª rodada, já houve 18 demissões, evidenciando a constante instabilidade nos clubes da elite nacional.
A rotatividade no comando técnico não ocorre apenas em momentos críticos, com muitos treinadores deixando seus postos logo nas primeiras rodadas. Em 2020, por exemplo, Eduardo Barroca foi demitido do Coritiba na quarta rodada, e Daniel Paulista saiu do Sport na quinta. Casos semelhantes se repetiram em anos seguintes, como a saída de Alberto Valentim do Cuiabá após a primeira rodada em 2021.
A demissão não depende apenas da zona de rebaixamento
Contrariando a lógica de que demissões ocorrem nas últimas posições, muitos treinadores perderam seus cargos em situações favoráveis na tabela. Em 2020, Roger Machado deixou o Bahia na 12ª posição, enquanto Vanderlei Luxemburgo foi demitido do Palmeiras em 7º lugar.
Se observado o histórico, Fernando Diniz saiu do São Paulo na 4ª colocação na 33ª rodada em 2021. Isso demonstra que fatores como expectativas, desempenho e pressão externa sobre o treinador são determinantes nas decisões dos clubes, independentemente da situação na tabela.
Estatísticas que refletem a instabilidade
Um levantamento de mais de 2 mil trabalhos de treinadores revela que a média de permanência de um técnico na elite brasileira é de apenas 5,8 meses. Enquanto treinadores como Abel Ferreira, no Palmeiras, e Rogério Ceni, no Bahia, mostram longevidade, muitos outros não conseguem completar uma temporada até o fim.
Desempenho abaixo das expectativas em 2026
Este ano, Luís Castro foi demitido do Grêmio após 51 jogos, conquistando o Campeonato Gaúcho e alcançando a semifinal da Copa do Brasil, mas com desempenho desapontante no Brasileirão, onde acumulou apenas 36% de aproveitamento. Após uma derrota crucial para o Vasco, a demissão foi considerada, mostrando que resultados ruins podem levar à saída, mesmo que o treinador tenha conquistado títulos em outras competições.
Os custos e impactos da troca de treinadores
A demissão de um treinador não representa apenas a troca de comando. Envolve um novo modelo de jogo, novas funções para os jogadores e mudanças na rotina de trabalho, além dos custos financeiros envolvidos na rescisão do contrato. O Internacional, por exemplo, precisou compensar o Criciúma em R$ 300 mil pela contratação de Eduardo Baptista em setembro de 2026.
A busca por estabilidade em meio à instabilidade
Apesar da cultura de mudanças rápidas, exemplos de continuidade existem. Abel Ferreira é o principal nome, com 11 títulos conquistados desde 2020 no Palmeiras. Enquanto isso, Rogério Ceni mantém-se à frente do Bahia desde 2023, mostrando que, em alguns clubes, a paciência pode levar a resultados positivos.
A constante troca de treinadores reflete uma resposta imediata à pressão por resultados, mas a pergunta que persiste é: quanto tempo um clube está disposto a dar a um projeto antes de avaliar se ele realmente fracassou?



