O Corinthians encerrou 2025 com dívida aproximada de R$ 2 bilhões e enfrenta atrasos em diversas obrigações financeiras. Além disso, um credor questiona o acordo coletivo de pagamento, apontando descumprimento por parte do clube. O Atlético-MG também teve um ano complicado, com débitos que chegam a R$ 2,21 bilhões, englobando pendências com atletas, funcionários, outros clubes e entes públicos.
Por outro lado, segundo um levantamento da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), apenas seis clubes da Série A – Palmeiras, Flamengo, Red Bull Bragantino, Bahia, Chapecoense e Mirassol – declararam não ter pagamentos atrasados. No entanto, isso não significa que estejam livres de dívidas. O Palmeiras, por exemplo, tinha uma dívida de cerca de R$ 1,13 bilhão ao final de 2025, mesmo cumprindo as obrigações analisadas pela agência.
A ANRESF diferencia entre dívidas vencidas e renegociadas, considerando apenas aquelas que estão efetivamente atrasadas. Obrigações ainda não vencidas ou que estão em litígios judiciais são tratadas de maneira distinta. A avaliação também não inclui bancos e fornecedores, o que significa que a declaração dos seis clubes não reflete necessariamente uma situação sem dívidas.
Diante de números tão elevados, a transparência financeira é crucial. Empregados, associados e torcedores têm o direito de saber quem assumiu as responsabilidades financeiras, quais os custos envolvidos e que patrimônio poderá ser utilizado para quitá-las. As administrações dos clubes muitas vezes utilizam crises financeiras para justificar a venda para investidores privados. Entretanto, a transformação das equipes em sociedades anônimas, sob crítica do DCO, cede o comando das instituições a empresários, colocando em risco a gestão voltada aos torcedores.

