A trajetória de Sarinha nas categorias de base do futebol feminino brasileiro é um exemplo de dedicação e superação. Natural de Cuiabá, a volante que integra a Seleção Brasileira Sub-17 se mudou com a família para São Paulo em busca de oportunidades no esporte. Aos seis anos, ela começou a jogar futsal, mas logo manifestou o desejo de se tornar jogadora de futebol, o que levou seus pais a recomeçarem suas vidas em uma nova cidade. “Minha família toda se mudou por um sonho. No início, minha mãe ficou durante um ano comigo e com os meus dois irmãos, enquanto meu pai trabalhava em Cuiabá”, relembra Sarinha.
A jovem atleta reconhece que cada passo dado é um reflexo do esforço de sua família. “O meu propósito no futebol é dar orgulho para eles. Eles fizeram tudo de melhor por mim para que eu conseguisse estar aqui hoje. Se não fossem eles, acho que eu não estaria aqui”, afirma.
Início da jornada
O primeiro contato de Sarinha com o futebol foi em brincadeiras com seu pai e tio. Desde cedo, ela expressou o desejo de ser jogadora e contou com o apoio incondicional da família. Aos oito anos, passaram a buscar oportunidades fora de Mato Grosso, o que os levou ao Centro Olímpico em São Paulo, onde Sarinha se destacou em avaliações e foi aprovada.
Após dois anos no Centro Olímpico, ela integrou o projeto Meninas em Campo e, com apenas 12 anos, recebeu um convite para jogar no São Paulo. O esforço familiar durante essa fase foi intenso, com sua mãe enfrentando dificuldades para sustentá-los em São Paulo, enquanto o pai permanecia em Cuiabá buscando trabalho. No clube paulista, Sarinha conquistou títulos nas categorias Sub-15 e Sub-17.
Caminho na Seleção Brasileira
A primeira convocação de Sarinha para a Seleção Brasileira Sub-15, em 2025, foi um marco em sua carreira. Como capitã, ela ajudou o Brasil a conquistar o título da Conmebol Liga Evolución Sub-15 no Paraguai e, em 2026, conquistou o título da Copa Sul-Americana Sub-17. “Vestir a camisa da Seleção Brasileira é algo que sempre almejei”, destacou.
Sarinha foi convocada para a Copa do Mundo no Marrocos, um momento especial que simboliza a superação de uma lesão que a afastou do futebol por três meses. Para ela, esta convocação é a recompensa por seu esforço e dedicação. “Foi só emoção e felicidade. Saber que Deus estava em tudo que eu passei foi muito especial”, conta.
No próximo sábado (24), às 12h (horário de Brasília), o Brasil encarará a Noruega em um duelo decisivo na busca pela classificação para a próxima fase do mundial. Sarinha acredita que a força mental e a competitividade do time são fundamentais para alcançar o título. “Acho que a nossa mentalidade e como competimos vão nos levar a altos níveis”, planeja a jovem jogadora.

