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A redução no limite de jogadores estrangeiros no Brasileirão pode gerar polêmica jurídica envolvendo o Mercosul

A nova regra da CBF visa aumentar a participação de jogadores brasileiros, mas pode enfrentar desafios legais devido a acordos do Mercosul.

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A redução no limite de jogadores estrangeiros no Brasileirão pode gerar polêmica jurídica envolvendo o Mercosul

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes das Séries A e B aprovaram uma redução no limite de jogadores estrangeiros que podem ser relacionados por partida, que começará a ser implementada em 2027. O número máximo atual de nove atletas de fora do país será reduzido gradualmente até chegar a cinco em 2030. No entanto, a nova regra pode enfrentar uma discussão jurídica antes mesmo de entrar em vigor.

O advogado Jean Nicolau, especialista em direito desportivo, alertou que acordos firmados pelo Brasil no âmbito do Mercosul podem complicar a aplicação dessa limitação para jogadores originários dos países membros do bloco. Ele enfatiza que, segundo tratados vigentes, o Brasil não pode impor cotas que restrinjam a participação de jogadores de países do Mercosul em competições nacionais.

“Regra esportiva como essa não poderia impedir a livre circulação de trabalhadores dentro do bloco”, observou Nicolau. Assim, uma eventual contestação poderá debater se os atletas do Mercosul devem ter o mesmo tratamento que outros estrangeiros no que diz respeito ao limite imposto pela nova norma.

Apesar da possibilidade de questionamentos jurídicos, isso não implica que a nova regra esteja suspensa ou inválida. Trata-se apenas de uma interpretação sobre possíveis incompatibilidades entre a norma esportiva e compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.

A CBF foi contatada para comentar sobre o assunto, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.

O que muda na regra de estrangeiros?

Atualmente, os clubes podem relacionar até nove estrangeiros por partida. Com a nova regra, esse limite passará a ser de oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030. Não há limite para a quantidade de estrangeiros que um clube pode ter em seu elenco; a restrição se aplica apenas aos jogadores relacionados para cada jogo.

Segundo a CBF, essa mudança visa aumentar o espaço para jogadores brasileiros mais jovens, uma vez que a entidade apontou uma diminuição na participação de atletas nacionais sub-23 ao mesmo tempo em que a presença de estrangeiros no Campeonato Brasileiro cresceu.

A nova regra foi aprovada em uma reunião na última segunda-feira, no Rio de Janeiro, recebendo apenas dois votos contrários entre clubes e federações. A implementação gradual visa mitigar os impactos nos contratos e planejamentos existentes, mantendo em 2026 a possibilidade de nove jogadores estrangeiros relacionados por partida.

Sul-americanos dominam presença estrangeira no Brasileiro

A discussão sobre o tratamento de atletas de países do Mercosul impactaria significativamente o futebol brasileiro, dada a atual composição dos elencos. Os Estados Partes do Mercosul incluem Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai, enquanto a Venezuela está suspensa de seus direitos no bloco. Países como Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Peru e Suriname são Estados Associados.

Atualmente, há 159 estrangeiros de 26 nacionalidades na Série A, com a Argentina liderando com 48 jogadores, seguida pelo Uruguai (32), Colômbia (27), Paraguai (13) e Equador (10). O Mirassol é o único clube da Série A sem jogadores estrangeiros na estatística.

CBF também muda inscrições para incentivar jovens

Além da redução do limite de estrangeiros, a CBF também aprovou outras alterações nas inscrições dos atletas. Os clubes poderão inscrever até 50 jogadores no Campeonato Brasileiro, com uma divisão entre aqueles acima e abaixo de 23 anos. Em 2027, a lista será composta por 30 vagas para jogadores acima de 23 anos e 20 para atletas sub-23, mudando progressivamente até chegarem a 25 jogadores em cada lista em 2030.

Essas mudanças têm como objetivo aumentar as oportunidades para jovens jogadores e estimular a formação de atletas no Brasil.

Camila Pessanha

Redatora Esportiva I Diretora de Comunicação & Marketing | Branding & Reputation I PR

Torcedora do Sport Club Corinthians Paulista

Profissional de Comunicação e Marketing, com atuação em branding, MKT Digital, reputação e relações públicas. Apaixonada por futebol, boas histórias e pelos bastidores que ajudam a explicar o que acontece dentro das quatro linhas. Corinthiana desde sempre, porque corinthiano não vira, nasce. No Futebol News, escrevo com olhar crítico, bom humor e atenção a tudo o que movimenta o futebol dentro e fora de campo.

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