A Polícia Judiciária (PJ) abriu um inquérito para investigar o processo de escolha de juízes para jogos da I Liga do futebol português. A medida foi anunciada em decorrência da demissão de Duarte Gomes, ex-diretor Técnico de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), e das graves denúncias sobre alegadas fugas de informação na reta final da última temporada (2025/2026).
Duarte Gomes quebrou o silêncio em entrevista ao podcast Hora Bolas e detalhou os fatos que motivaram sua saída. Segundo informações, uma denúncia formal acompanhada por um dossiê de aproximadamente 20 páginas foi entregue às autoridades judiciais. Este documento inclui evidências materiais e digitais, como conversas via WhatsApp, registros de chamadas e capturas de ecrã, que indicam conhecimento prévio das escalas de árbitros por terceiros.
O inquérito, que está sob a responsabilidade do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), investiga a possibilidade de um complô para beneficiar o Estrela da Amadora, envolvendo figuras como Paulo Lopo, ex-líder da SAD do clube, e a gestão do Conselho de Arbitragem liderado por Luciano Gonçalves.
As suspeitas se concentram sobre o período decisivo da última I Liga, quando surgiram denúncias de que a nomeação dos árbitros para jogos cruciais teria sido manipulada. Essas alegações levaram à demissão de Duarte Gomes e à transição do caso para uma investigação criminal, o que foi previamente noticiado pelo Diário de Notícias. A decisão da FPF de remeter o caso ao Ministério Público reforça a gravidade da situação, colocando o tema sob a lente da justiça.

