A ONG britânica FairSquare apresentou nesta terça-feira (8) uma nova denúncia ao Comitê de Ética da Fifa contra o presidente da entidade, Gianni Infantino. A alegação envolve “violações reiteradas ao Código de Ética da Fifa”, com um total de supostas oito infrações, incluindo abuso de poder e violação da exigência de neutralidade política.
O documento, que possui oito páginas, tem o apoio de mais de 100 mil pessoas de 124 países, que assinaram uma campanha denominada Reboot Fifa, proposta pela FairSquare para promover o debate sobre a atuação de Infantino e a governança da Fifa.
De acordo com o documento, “esta denúncia apresenta oito incidentes em ordem cronológica. Todos se relacionam às conexões do sr. Infantino com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”. A atualização inclui detalhes sobre seu envolvimento no caso Balogun durante a Copa do Mundo masculina de 2026 e seus esforços para vender os direitos das operações comerciais da Fifa a um grupo de private equity com vínculos ao presidente Trump.
O texto afirma que as evidências apresentadas “fornecem provas contundentes de que o presidente da Fifa, no mínimo, abusou de seu poder, violou seu dever de neutralidade política e violou seu dever de lealdade em seus esforços para estreitar relações com o presidente dos Estados Unidos”. As alegações são ainda mais graves, segundo o relatório, pela busca de ganhos pessoais por parte de Infantino.
As violações específicas listadas na nova denúncia incluem:
- Um vídeo no Instagram em que Infantino agradece a Donald Trump pelo convite para a cerimônia de posse do presidente, utilizando o slogan de Trump;
- A entrega do novo Prêmio da Paz da Fifa a Trump, sem aprovação prévia do Conselho da Fifa;
- Uma campanha de Infantino para que Trump recebesse o Prêmio Nobel da Paz;
- Um vídeo apresentado no sorteio da Copa do Mundo que exaltou a política externa do presidente dos EUA;
- A assinatura de um memorando que criou o “Conselho da Paz” de Trump, sem consulta ao Conselho da Fifa, usando um boné de campanha;
- Uma denúncia sobre um site da Fifa que recolheu dados de torcedores, que foram compartilhados para fins políticos partidários;
- A anulação da suspensão do atacante norte-americano Folarín Balogun, expulso em uma partida da Copa do Mundo;
- A tentativa frustrada de criar o Fifa Forward Enterprise (FFE) para negociar parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo.
Gianni Infantino está à frente da Fifa desde 2016 e planeja concorrer a mais um mandato nas eleições previstas para março do ano que vem. No entanto, seu apoio tem diminuído entre as federações nos últimos meses, o que pode complicar sua reeleição.

