José Mourinho utilizou um método inusitado para testar a segurança do vestiário do Real Madrid. Em coletiva antes do confronto contra o Espanyol, o treinador português revelou que seus jogadores já estavam cientes da escalação para a partida e, em tom brincalhão, desafiou os jornalistas a descobrirem quem teria os melhores “contatos” dentro do elenco.
“Meus jogadores sabem quem vai jogar. Agora vamos ver qual jornalista tem os melhores contatos”, disse Mourinho, insinuando que poderia transformar a divulgação da escalação em uma espécie de teste. A ideia seria observar se a informação, inicialmente restrita ao vestiário, chegaria à imprensa antes do confronto.
“O primeiro onze inicial do Mourinho… vamos ver quem entre vocês tem os melhores contatos. Os jogadores já sabem quem vai jogar; não é meu trabalho guardar segredo. Talvez vocês souberem em algumas horas,” acrescentou.
Vale lembrar que, na última temporada, o Real Madrid enfrentou diversas questões internas que extrapolaram o ambiente de Valdebebas. Discussões entre jogadores, desentendimentos com a comissão técnica e informações sobre o cotidiano do grupo começaram a vazar para a mídia espanhola.
Vazamentos se tornam um problema no Real Madrid
Entre os episódios mais delicados, destacam-se os conflitos entre Tchouaméni e Valverde, cuja discussão durante um treino foi exposta publicamente, intensificando a tensão no clube. O presidente Florentino Pérez ressaltou a gravidade do vazamento, uma vez que evidenciava problemas que deveriam ser tratados internamente.
A situação virou pauta da imprensa, criando um ambiente de desconfiança em Valdebebas, onde o clube buscava descobrir a origem das informações que estavam chegando aos jornalistas. Conversas privadas e ocorrências internas começaram a ser divulgadas, refletindo uma atmosfera tensa no centro de treinamento.
Ao assumir o Real Madrid novamente, Mourinho se depara com um problema familiar. Na primeira passagem pelo clube, entre 2010 e 2013, também enfrentou os desafios causados por vazamentos que geravam desconfiança no elenco. Informações sobre escalações e conversas particulares frequentemente chegavam à imprensa, alimentando a percepção de intrigas e desconfiança.
Esse cenário chegou a levantar suspeitas sobre a existência de um informante no vestiário. Em retrospectiva, Rui Faria, então auxiliar e braço direito de Mourinho, recordou a convicção da comissão técnica sobre alguém repassando informações para fora do clube. “Sabíamos quem era o informante, tínhamos quase certeza. Porque, no fim das contas, as respostas estavam nos jornais. Não dá para provar, mas você tem quase certeza de como as coisas funcionam,” comentou Faria.
O ex-goleiro Casillas também foi associado a essas suspeitas, o que ele negou posteriormente. Esse episódio em particular se tornou um símbolo dos conflitos que marcaram a saída de Mourinho do Real Madrid.



