Jogadores da Seleção Paraguaia de Futebol, incluindo nomes conhecidos que atuam no Brasil como Gustavo Gómez, capitão do Palmeiras, e Bobadilla, do São Paulo, divulgaram uma manifestação pública em resposta à crise financeira que atinge o Paraguai. O comunicado foi compartilhado na quarta-feira (4) e expressa a preocupação dos atletas com a situação provocada pela intervenção do Banco Central no Ueno Bank.
No texto, os jogadores ressaltam que a crise impactou não só os cidadãos comuns, mas também eles próprios, com a dificuldade que milhares de paraguaios enfrentam para acessar seus recursos financeiros. A mensagem enfatiza a vulnerabilidade de trabalhadores e famílias de baixa renda que dependiam das economias mantidas na instituição financeira.
“Por isso, hoje não falamos de futebol. Hoje falamos como povo”, diz um trecho do comunicado. Os atletas pedem uma atuação imediata e transparente do governo e da Justiça, além de cobrar que os responsáveis pela situação sejam penalizados. Ao final da manifestação, afirmam que cada jogador avaliará individualmente as medidas legais que considerar necessárias caso tenha sido prejudicado.
Entenda a crise no Paraguai
A crise no Paraguai foi desencadeada pela intervenção do Banco Central no Ueno Bank, após constatar problemas sérios de solvência da instituição, que não apresentava o mínimo requerido pela legislação. Com a intervenção, aproximadamente 2,9 milhões de clientes ficaram sem acesso a suas contas, gerando incertezas sobre a recuperação dos recursos.
Essa situação levou a uma série de protestos nas agências bancárias e também à renúncia de Carlos Carvallo do cargo de presidente do Banco Central, após solicitação do presidente paraguaio, Santiago Peña. Carvallo havia dirigido a Ueno Bank antes de assumir o comando do órgão regulador.
Confira o comunicado dos jogadores da Seleção Paraguaia
Ao povo paraguaio:
Somos jogadores da Seleção Paraguaia de Futebol, mas, acima de tudo, somos paraguaios. Filhos desta terra que amamos.
Hoje, como paraguaios antes de sermos jogadores de futebol, sentimos a necessidade de falar com o coração aberto e sem rodeios diante da crise financeira que está atingindo nosso país.
Isso nos dói profundamente. Dói ver milhares de famílias enfrentando angústia, incerteza e preocupação. Ver nossa gente apreensiva para conseguir chegar ao fim do mês, pelo trabalho e pelo futuro de seus filhos. Por trás de cada número existem pessoas, famílias, sonhos e uma vida inteira de esforço que merece respeito.
Queremos deixar algo claro: nós também fomos vítimas dessa situação, assim como inúmeras famílias paraguaias. Compartilhamos a mesma indignação, a mesma preocupação e a mesma dor que hoje atingem tantos compatriotas.
Mas, neste momento, nossa maior preocupação não somos nós.
Nossa prioridade absoluta deve ser a população trabalhadora. Aqueles que tinham as economias de toda uma vida investidas ali. As pessoas com menos recursos, que hoje estão em situação de total vulnerabilidade. São elas que mais precisam de apoio e que devem estar em primeiro lugar diante de qualquer medida que seja tomada.
Por isso, hoje não falamos de futebol. Hoje falamos como povo.
Exigimos com firmeza que o Governo e a Justiça atuem imediatamente, com transparência e sem distinções. Precisamos de uma resposta contundente. O esforço de pessoas decentes não pode ser prejudicado quando está em jogo o sustento de suas famílias.
Por meio do esporte, entramos em campo todos os dias para mostrar ao mundo nossos valores, nossa garra e nossa verdadeira identidade paraguaia. Trabalhamos duro para levar a bandeira do nosso país ao lugar mais alto e honrar nossa gente. Não é justo, nem podemos permitir, que as ações de algumas pessoas manchem o nome e a reputação de todo o Paraguai.
A Justiça deve agir com firmeza e punir os responsáveis. O povo paraguaio é solidário, honesto e trabalhador, e merece que suas instituições estejam à altura de sua gente.
Sobre nossa situação pessoal, queremos deixar claro: cada um de nós avaliará individualmente as medidas legais cabíveis caso tenha sido afetado por esses acontecimentos. Não vamos olhar para o outro lado. Vamos defender o que é nosso, como corresponde, com a lei em mãos.
Porque ser paraguaio não é apenas vestir a camisa. É não abandonar sua gente quando ela mais precisa.
Força a todas as famílias afetadas. Vocês não estão sozinhas. Estamos com vocês.
O Paraguai já se levantou muitas vezes. E desta vez também vamos nos levantar, unidos, com trabalho, dignidade e a cabeça erguida.
Força, Paraguai!
Unidos somos mais fortes!
Jogadores da Seleção Paraguaia de Futebol.

