O caso do Manchester City por violações das regras financeiras da Premier League pode se estender por anos, conforme analisam advogados. Recursos e possíveis novas ações judiciais ameaçam prolongar uma saga que já transformou o ambiente financeiro do futebol inglês.
A Premier League anunciou, na terça-feira (29), que o Manchester City utilizou contratos comerciais “fictícios” para inflar receitas e subestimar custos em mais de 900 milhões de libras (cerca de R$ 6,2 bilhões) ao longo de quase uma década.
Esse processo, que já se arrasta há anos, suscita questões sobre governança financeira, integridade da competição e a capacidade da liga de responsabilizar seus clubes mais poderosos, aponta Yasin Patel, um dos principais advogados especializados em direito esportivo de Londres. “A menos que a Premier League assuma o controle, isso pode levar anos”, afirmou.
Clubes podem cobrar indenizações do Manchester City
Patel mencionou que “clubes estão cogitando processar o Manchester City por perda de receitas”, referindo-se a um precedente estabelecido pela Premier League em junho, onde o Everton foi condenado a pagar cerca de 35 milhões de libras (R$ 241 milhões) ao Burnley por descumprimentos das regras financeiras que impactaram o rebaixamento do Burnley em 2022.
O Everton já apresentou recurso contra a decisão, que será analisado em janeiro de 2027. De acordo com Patel, outros clubes podem reivindicar indenizações se foram prejudicados pelas alegações contra o Manchester City.
Comissão considera City culpado por nove temporadas
Uma comissão independente considerou o Manchester City culpado de todas as acusações relacionadas a violações das regras financeiras da Premier League durante nove temporadas, além de três das quatro acusações por falta de cooperação com a investigação.
O Manchester City nega as irregularidades e tem até sexta-feira (2) para apresentar um recurso. O clube já declarou que irá recorrer à decisão, que ainda não resultou em punições, mantendo incerto o futuro da equipe que dominou o futebol inglês na última década.
Ainda não há clareza sobre se as sanções serão divulgadas antes ou após a análise do recurso. Um representante da liga informou que não poderia comentar o processo por questões de confidencialidade. “As sanções serão analisadas mais cedo ou mais tarde, mas, devido ao recurso, talvez só entrem em vigor após a avaliação”, opinou Patel.
Recurso é tratado como prioridade no processo
A situação pode gerar grandes implicações para a Premier League, segundo fonte de uma das principais ligas europeias. “Se todos os clubes começarem a processar o City, será um grande problema. A Premier League, como produto, sofrerá”, alertou a fonte.
Stefan Borson, especialista em direito esportivo, afirmou que o recurso deve ser a prioridade atual, ressaltando que a aceitação das responsabilidades levadas ao recurso pode determinar as sanções subsequentes.
Caso pode envolver até processos criminais
Patel levantou a possibilidade de que o caso avançasse para além da esfera esportiva, resultando em processos criminais. “Se autoridades confirmarem que dirigentes enganaram a Premier League, pode-se questionar se são proprietários idôneos sob as regras da liga”, destacou.
Ele questionou se as conclusões da comissão poderiam levar a investigações policiais, especialmente se estiverem associadas a crimes como lavagem de dinheiro.
Vazamento da decisão pode gerar novo questionamento
O vazamento da decisão da liga pode dar ao Manchester City argumentos para contestar o processo. Alex Goodchild, advogado especializado, disse que esse tipo de informação poderia ser usado como estratégia contra a liga em questões procedimentais.
A possibilidade de rebaixamento também levanta incertezas sobre o elenco do City. Patel e Goodchild afirmaram que contratos de jogadores frequentemente incluem cláusulas de liberação em caso de rebaixamento, possibilitando que outras equipes adquiram jogadores por valores inferiores ao mercado.

