A Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil e suas oportunidades comerciais
A realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil representa uma importante oportunidade para ampliar a audiência, atrair investimentos e impulsionar o desenvolvimento comercial do futebol feminino. Para que a visibilidade gerada pelo torneio traga resultados duradouros, é fundamental fortalecer as competições nacionais e estabelecer um relacionamento contínuo entre clubes, torcedores e marcas.
Em entrevista, Amanda Storck, gerente de futebol feminino do Fluminense, argumentou que a valorização da modalidade deve ir além de sua capacidade de transformação social e incorporar seu valor esportivo e comercial. “O futebol feminino não deve ser apresentado apenas como uma plataforma de propósito, mas sim como um produto com audiência, competição e potencial de retorno”, afirmou Storck. Ela destacou também que as marcas têm uma grande oportunidade de se conectar a temas como inclusão, performance e liderança.
Construção de uma base sólida para o crescimento do futebol feminino
A consolidar o futebol feminino não depende apenas de eventos como a Copa, mas sim da experiência oferecida aos torcedores. No Fluminense, a estratégia é transformar os jogos da equipe feminina em uma opção de entretenimento, aumentando a divulgação das partidas e facilitando o acesso às informações. Storck reconheceu que a atual presença de público nos jogos ainda é baixa e enfatizou a necessidade de criar um hábito de acompanhamento regular das competições.
“É preciso construir uma jornada de comunicação que informe, gere identificação e estimule a presença nos estádios. Ainda não atingimos públicos expressivos, mas estamos trabalhando para mudar essa realidade”, enfatizou.
Internacionalização e estruturação do futebol feminino
A internacionalização do futebol feminino brasileiro também é um caminho a ser explorado. Storck acredita que conteúdos legendados, transmissões digitais e parcerias com mídias podem aproximar torcedores brasileiros no exterior das competições nacionais. No entanto, essa iniciativa deve ocorrer junto ao fortalecimento da estrutura doméstica, que inclui um calendário previsível, qualidade nas transmissões, infraestrutura adequada nos estádios e profissionalização dos clubes.
“Devemos aprender com modelos internacionais, mas adaptar as iniciativas à nossa realidade. A NWSL mostra a importância de fortalecer a liga como uma propriedade comercial, enquanto a UEFA inspira com sua centralização de direitos e valorização da marca da Champions League feminina”, concluiu Amanda Storck.

