Questão do fuso horário precisa ser analisada quando o assunto é melhorar a internacionalização do futebol brasileiro – Divulgação / Pixabay
Os horários das partidas no futebol brasileiro necessitam de adaptação para atender mercados internacionais estratégicos. Ligas europeias, por exemplo, ajustam seus jogos visando alcançar fãs globais e aumentar receitas de direitos de transmissão. A internacionalização do futebol brasileiro exige essa flexibilização dos horários para conquistar torcedores estrangeiros.
A realidade brasileira e a internacionalização do futebol estão interligadas. No Brasil, especialmente na região Nordeste, é inviável jogar futebol ao meio-dia. Por outro lado, na Inglaterra, por exemplo, partidas começam às 12h ou às 14h, com a última às 17h.
Aos sábados, o horário das 15h é quando mais jogos acontecem simultaneamente, mas uma lei criada na década de 1960 proíbe a transmissão de qualquer partida naquele período, visando estimular a presença do público nos estádios.
As ligas europeias têm estratégias de horário que também buscam atender mercados internacionais. A LaLiga, por exemplo, inicia partidas às 14h e finaliza às 21h, enquanto a Serie A Italiana programa jogos a partir das 12h30 até às 20h45.
Essa distribuição de horários nas ligas europeias é pensada não só para o público local. A Premier League, por exemplo, gera receitas significativas nos Estados Unidos, com a preferência de horários que não conflitam com jogos de outras ligas, como a NFL. Similarmente, os horários das 12h e 14h se encaixam bem no mercado chinês, que representa um foco de crescimento para a liga inglesa.
Brasil
No Brasil, a Conmebol tem buscado expandir sua exposição internacional. As competições de clubes são exibidas em mais de 130 países, e a final é transmitida em 190 países. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), também com uma visão voltada para o mercado europeu, tem promovido partidas da Copa do Brasil durante os fins de semana, para permitir horários mais favoráveis aos torcedores europeus.
O Campeonato Brasileiro, realizando mais de 70% de suas partidas nos fins de semana, tem potencial para flexibilizar seus horários. Jogos às 11h atendem a mercados como China e Japão, enquanto partidas às 16h ou 17h são adequadas tanto para o público local quanto para o mercado europeu e americano, criando um vínculo maior com os clubes brasileiros.
A chave para o crescimento do futebol brasileiro no exterior está em adaptar-se ao torcedor internacional. É crucial que a abordagem do produto facilite a experiência de visualização, promovendo uma conexão mais estreita com os clubes e, assim, avançando em uma estratégia de internacionalização.

