A FIFA (Federação Internacional de Futebol) declarou, em 3 de setembro de 2026, que a UEFA (União das Associações Européias de Futebol) está realizando uma **“campanha de difamação”** contra a entidade e seu presidente, Gianni Infantino. A controvérsia gira em torno da proposta não concretizada de venda de participação dos direitos comerciais da FIFA, que continua a gerar tensão no cenário futebolístico mundial.
A crise se intensifica em um momento crítico para Infantino, que enfrenta pressão para renunciar por parte de três confederações, incluindo a própria UEFA, a Confederação Asiática de Futebol e a Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe).
Disputa nos tribunais
Na última semana, a UEFA protocolou um pedido no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, buscando autorização para coletar depoimentos e documentos que poderiam ser usados como provas em uma possível ação criminal na Suíça contra Infantino e outros dirigentes da FIFA. Este movimento faz parte dos esforços da confederação europeia para reunir elementos que sustentem uma eventual queixa contra a liderança da FIFA e o projeto da FFE (FIFA Forward Enterprise).
A FIFA reagiu em 1º de setembro por meio de uma **moção de intervenção** apresentada pelas subsidiárias FIFA (Americas) Inc. e FWC2026 US, Inc. Com esse pedido, a entidade tenta ingressar no processo antes da decisão do juiz para contestar a solicitação da UEFA e limitar o acesso aos documentos requisitados.
Na sua manifestação, a FIFA afirmou que a iniciativa da UEFA não tem base jurídica legítima e sim é parte de uma campanha para desgastar sua imagem. Segundo a FIFA, os pedidos ao tribunal são **“comunicados de imprensa em apoio à campanha de difamação da UEFA contra a FIFA e sua liderança”**.
A FIFA ainda argumentou que a UEFA busca produzir provas para **“supostos (mas inexistentes) processos criminais suíços”** e que a confederação europeia tem tentado bloquear a criação da FFE, que concentraria os direitos comerciais das Copas do Mundo masculina e feminina. Para a entidade, a oposição da UEFA visa preservar a hegemonia do futebol europeu.
Pressão sobre Infantino
A proposta da FFE foi revogada em 31 de julho após a resistência da UEFA e de outras confederações regionais. Apesar de ter sido retirada, ela se tornou o foco de uma batalha institucional que ameaça a situação de Infantino.
O presidente da FIFA busca reeleição para um quarto mandato, com a eleição marcada para março de 2027. Desde que apresentou a proposta da FFE, enfrenta críticas crescentes, e vários países já retiraram apoio à sua candidatura.
A UEFA, por sua vez, anunciou que trabalhará com confederações parceiras para assegurar que as federações-membro tenham uma **“alternativa crível”** comprometida com reformas, caso Infantino decida se candidatar novamente. A confederação exigiu também uma revisão externa do caso.
Em comunicado, a UEFA declarou: **“A FIFA não pode investigar a si mesma e esperar que a comunidade do futebol simplesmente aceite suas conclusões.”** Os membros da UEFA mandataram, unanimemente, a busca por **“todas as vias institucionais, políticas e jurídicas disponíveis”** para garantir reformas e restabelecer limites à autoridade do presidente.

