A Fifa é acusada de priorizar receitas em detrimento dos direitos humanos durante a Copa do Mundo de 2026. Um relatório publicado recentemente pela organização Sport & Rights Alliance expõe que a entidade não assumiu suas responsabilidades enquanto torcedores e jornalistas enfrentavam tratamento discriminatório nas três nações-sede: México, Canadá e Estados Unidos.
A investigação constatou que a Fifa dependia excessivamente dos governos locais e de outras organizações para lidar com possíveis violações, sem fornecer diretrizes, fiscalização adequada ou consequências para os casos de descumprimento das regras. O torneio, que conta com a participação de 48 seleções pela primeira vez, foi marcado por dificuldades como restrições de vistos, exigências rigorosas de entrada e interrogatórios prolongados nas fronteiras.
Copa de 2026 teve restrições migratórias, aponta relatório
Os obstáculos afetaram não apenas torcedores, mas também atletas, membros de comissões técnicas, árbitros e jornalistas, que enfrentaram barreiras relacionadas a suas nacionalidades. O documento destaca que essas limitações impactaram especialmente cidadãos de países submetidos a regras migratórias mais rígidas, incluindo alguns dos participantes do torneio.
A análise critica, ainda, a decisão da Fifa de conceder seu primeiro Prêmio da Paz ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em uma entrevista à Reuters, a diretora-executiva da Sport & Rights Alliance, Andrea Florence, expressou a frustração com a falta de mudanças concretas em relação à Política de Direitos Humanos adotada pela entidade em 2017.
Organização acusa Fifa de priorizar lucro
Florence afirma que “a falta de compromisso da direção da Fifa com esses princípios levou a um torneio que colocou o lucro acima das pessoas”. O relatório inclui uma série de recomendações, ressaltando que a proximidade da próxima eleição presidencial da Fifa e a Copa do Mundo Feminina de 2027, que ocorrerá no Brasil, representam uma oportunidade para elevar os direitos humanos na agenda do futebol.
O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, reconheceu que o relatório levanta preocupações importantes e identificou áreas para novos avanços. Ele anunciou que a Fifa está preparando um relatório próprio sobre direitos humanos e sustentabilidade na Copa do Mundo de 2026, prometendo uma abordagem mais equilibrada sobre os impactos do evento.
Um porta-voz da Fifa afirmou que a entidade tem orgulho dos resultados alcançados com a Copa do Mundo de 2026 e continuará a construir esse legado, trabalhando de maneira aberta com as partes interessadas para fortalecer seu compromisso com os direitos humanos.

