A FIFA acusou a UEFA de promover uma “campanha de difamação” contra a entidade e seu presidente, Gianni Infantino. A afirmação foi feita em um documento judicial obtenido pela Reuters, no qual a FIFA também se refere a uma disputa relacionada à proposta de venda de participação nos direitos comerciais da organização.
Na semana passada, a UEFA havia protocolado um pedido unilateral no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York. O objetivo era obter depoimentos e documentos de entidades localizadas nos EUA, para uso em possíveis processos criminais na Suíça.
A FIFA se opôs a esse pedido, argumentando que as solicitações da UEFA, embora apresentadas como peças jurídicas, seriam, na verdade, comunicados de imprensa que apoiariam a campanha de difamação contra a FIFA e sua liderança. A entidade afirmou que a UEFA tenta inviabilizar a proposta da FIFA Forward Enterprise (FFE), que deteria os direitos comerciais relacionados às Copas do Mundo masculina e feminina.
Uefa avalia processo criminal contra Infantino
Em uma moção de intervenção apresentada em 1º de setembro pela FIFA (AMERICAS) Inc. e pela FWC2026 US, a FIFA pediu ao tribunal que adiasse a decisão sobre o pedido da UEFA ou permitisse que a FIFA se manifestasse a respeito. A entidade argumentou que a UEFA busca produzir provas para “supostos (mas inexistentes) processos criminais suíços”.
A UEFA, por sua vez, declarou estar avaliando ações criminais contra Infantino e outros dirigentes da FIFA. A proposta que gerou toda essa polêmica foi retirada em 31 de julho, após a oposição da UEFA e de outras entidades regionais.
Infantino enfrenta pressão para renunciar ao cargo por parte de três confederações: a UEFA, a Confederação Asiática de Futebol e a Concacaf, que abrange a América do Norte, Central e Caribe. Ele está concorrendo à reeleição para um quarto mandato em março de 2027 e já recebeu críticas desde a apresentação da proposta que acabou sendo abandonada, resultando na retirada de apoio à sua candidatura por diversos países.
Uefa cobra reformas e revisão independente da Fifa
Na semana passada, a UEFA afirmou que trabalhará com confederações parceiras para garantir que as federações-membro tenham uma “alternativa crível” comprometida com reformas, caso Infantino busque outro mandato. A confederação também solicitou “uma revisão externa genuinamente independente” da proposta fracassada da FIFA, destacando que “a FIFA não pode investigar a si mesma e esperar que a comunidade do futebol simplesmente aceite suas conclusões”.
Apesar da pressão, a UEFA informou que seus membros mandataram a confederação a buscar “todas as vias institucionais, políticas e jurídicas disponíveis” para garantir reformas e restabelecer limites à autoridade presidencial.

