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Elinton Andrade: Da goleada histórica pelo Vasco à glória no futebol de areia com Portugal

Elinton Andrade reflete sobre sua trajetória e a importância de superar desafios, desde a goleada histórica até o sucesso no futebol de areia com Portugal.

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Elinton Andrade: Da goleada histórica pelo Vasco à glória no futebol de areia com Portugal

O Vasco enfrenta o Athletico-PR nesta quarta-feira, às 19h30 (de Brasília), na Arena da Baixada, quase 21 anos após uma das derrotas mais marcantes da história do confronto. Em 27 de julho de 2005, o Furacão venceu o Cruz-Maltino por 7 a 2, em uma partida que ficou marcada pelo placar elástico. No gol vascaíno estava Elinton Andrade, que carrega memórias daquela noite e uma trajetória que ganhou novos capítulos após deixar São Januário.

Na ocasião, Elinton era o quinto goleiro do elenco e fazia apenas sua terceira partida como titular do Vasco. O resultado começou a ser construído ainda no primeiro tempo, quando o Athletico-PR foi para o intervalo vencendo por 4 a 0. Frustrado com a performance defensiva da equipe, Renato Gaúcho disparou a frase que atravessou os anos: “Até uma mulher grávida faria gol na gente”.

A goleada teve consequências para Elinton, que retornou ao Rio de Janeiro sendo um dos jogadores mais hostilizados pela torcida e percebia que seu ciclo no clube estava próximo do fim. Porém, mais de duas décadas depois, o ex-goleiro não considera aquele jogo um rótulo para sua carreira. Em entrevista, ele reconheceu o impacto da derrota, mas destacou que a preparação e os objetivos traçados ao longo de sua trajetória foram cruciais para seguir em frente.

– Uma derrota como essa impacta, tanto que virou história. Estamos em 2026 e ainda estamos falando sobre isso, e, para mim, não tem problema nenhum. Mas, uma vez que uma semente é plantada, não pode ser um jogo que vai rotular toda a estratégia e o planejamento para se tornar uma referência e um jogador de futebol – afirmou.

Na avaliação de Elinton, ele poderia ter evitado alguns gols, mas ponderou que o desempenho coletivo do Vasco também influenciou o resultado.

– Tenho consciência de que, dos sete gols, em um ou dois poderia ter feito algo diferente. Também tenho consciência de que não vão querer me culpar pela derrota, é impossível. O time do Vasco não era um time bom, competitivo. Pegamos uma equipe bem forte, que era o Athletico Paranaense – relembrou.

Elinton viveu um momento de ascensão em São Januário antes da goleada. Ele destacou que sua atuação em partidas contra Flamengo, Santos e Corinthians havia chamado atenção, indicando que o clube poderia ter encontrado um goleiro titular depois de anos de problemas na posição. A oportunidade de jogar no Vasco era especial, pois ele foi indicado por Romário e via essa chance como uma forma de concretizar seu sonho de jogador em alto nível no Brasil.

A derrota não encerrou sua trajetória no futebol. Com passaporte europeu, Elinton começou uma carreira no exterior, passando pelo Vietnã, defendendo o Ascoli na Itália e o Rapid Bucareste na Romênia, até desembarcar no Olympique de Marselha em 2009. No clube francês, ele viveu momentos importantes, como disputas de Liga dos Campeões e conquistas sob o comando de Didier Deschamps. Para Elinton, essa passagem representou a realização de um sonho.

Da Champions League ao protagonismo no futebol de areia

Após conquistar espaço no futebol europeu, Elinton buscou um novo caminho em 2014. A mudança de modalidade ocorreu em um período de transformação pessoal e profissional. Após deixar o Olympique de Marselha e passar pelo Chipre, ele decidiu retornar ao Brasil para ficar mais perto do filho, que também é goleiro nas categorias de base do Coritiba.

Enquanto defendia o Duque de Caxias, Elinton recebeu sondagens de outros clubes, incluindo o Grêmio, mas o desgaste com os bastidores do futebol brasileiro o fez repensar sua carreira. Durante uma pausa nas competições, ele começou a treinar futebol de areia no Flamengo, sugestão do ex-jogador Maestro Júnior.

A adaptação de Elinton ao novo esporte foi rápida. Com experiência desde os 10 anos e fundo no vôlei de praia, ele se destacou pela qualidade ao usar os pés na construção de jogadas. Logo em sua primeira competição pelo Flamengo, foi eleito o melhor goleiro, recebendo convites das seleções brasileira e portuguesa.

Escolhendo defender a seleção portuguesa, por gratidão ao país onde obteve cidadania, Elinton abriu caminho para uma fase vitoriosa. Ele se tornou bicampeão mundial de Futebol de Areia em 2015 e 2019, além de conquistar quatro títulos europeus e uma medalha de ouro nos Jogos Europeus de 2019.

Individualmente, foi eleito melhor goleiro do mundo em 2016, 2018 e 2019, e recebeu a Luva de Ouro da FIFA na última conquista mundial. Em 2019, foi condecorado pelo presidente de Portugal por seus serviços ao esporte.

– Tenho certeza de que foram escolhas incríveis para a minha carreira. Para muitos, foi me reinventar, mas eu acho que é uma continuidade e um status que era interessante conquistar. É fruto de muito trabalho. Tenho 47 anos e, se você me olhar hoje, vai achar que eu tinha que estar jogando ainda, de tanto que treino e me cuido – destacou.

Elinton avalia momento do Vasco e pede força máxima

Mesmo após tantos anos longe de São Januário, Elinton acompanha o Vasco e demonstra carinho pela instituição. Ao analisar o momento do clube, ele ressaltou a importância dos bastidores e da reconstrução interna para que o Cruz-Maltino retome resultados expressivos.

Para Elinton, as dificuldades atuais não podem ser atribuídas apenas aos jogadores. Ele acredita que fatores externos também influenciam o desempenho da equipe.

– Eu acredito muito em energia, acredito nos bastidores. Por vezes, as pessoas de fora pensam que a culpa é somente dos jogadores, claro que eles têm culpa, porque são eles que jogam. Mas aquela bola que bate na trave e sai, eu acredito muito no que acontece onde ninguém vê. Acho que isso acontece no Vasco há muito tempo. Energia pesada – avaliou.

Elinton comentou também sobre a reformulação administrativa e mostrou esperança com a chegada de novos investidores, destacando que a estabilidade financeira pode facilitar a recuperação do protagonismo do Vasco no futebol brasileiro.

O ex-goleiro deu sua opinião sobre a sequência decisiva da temporada e sugere que o técnico Pedro Emanuel não utilize um time misto na partida contra o Athletico-PR, antes do confronto com o Palmeiras, pela semifinal da Copa do Brasil. Para Elinton, é hora de força máxima nas duas competições.

– Não acredito que caiba um time misto. Acho muito perigoso. Os jogadores têm capacidade. Hoje é tudo voltado para a fisiologia, controle de carga. Acho que cabe ao atleta bater no peito e falar que tem condição de jogar quarta e sábado, quarta e domingo – opinou.

Por fim, deixou um conselho ao elenco cruz-maltino para encarar a pressão e buscar uma reação na reta final da temporada. Uma mensagem que reflete sua própria trajetória: não permitir que um momento difícil defina o futuro de uma carreira.

– Quando você trabalha no desconforto, quando consegue ter sua mente como aliada e o desconforto como algo que te alimenta para se superar, não tem momento difícil. Se você se preparar muito, não tem tempo ruim – concluiu.

Assim, quase 21 anos após aquela noite de julho de 2005, Elinton Andrade volta a ser lembrado na história do duelo entre Vasco e Athletico-PR. Contudo, agora a memória vai além dos sete gols sofridos: é uma narrativa de resiliência, de uma carreira construída na Europa e por seu protagonismo com a camisa de Portugal no futebol de areia.

Bruno Tavares

Redator Esportivo e Empreendedor Digital

Torcedor do São Paulo - FC

Bruno Tavares é redator esportivo, empreendedor digital e especialista em produção de conteúdo para a internet. No Futebol News, acompanha o futebol brasileiro e internacional, a Seleção Brasileira, os bastidores dos clubes e o mercado da bola, produzindo notícias claras, diretas e relevantes para o torcedor. Também atua com SEO e estratégias digitais desde 2008.

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