‘Retratos da Várzea’ é um documentário que aborda a desilusão com o futebol profissional, surgindo a partir da experiência do diretor Lucas Campolina, que deixou de frequentar estádios após a elitização promovida por reformas para a Copa do Mundo de 2014 e a chegada das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Campolina relembra que se afastou das arquibancadas ao observar como essa transformação afetou não apenas o futebol profissional, mas também o amador, que enfrenta pressões econômicas semelhantes, mesmo que em menor escala.
O cineasta ressalta as questões de “arenização”, os altos cachês pagos a jogadores e a desconexão entre clubes e suas comunidades. A primeira experiência dele no cinema futebolístico foi com “Lutar, Lutar, Lutar”, um documentário sobre o Atlético Mineiro, que colaborou com a formação do novo projeto.
O documentário apresenta três personagens centrais do futebol de várzea. Balotelli, um jogador semiprofissional que representa o status quo do ambiente, Damião, um dirigente que simboliza a resistência de uma várzea em decadência, e Jana, uma jogadora que enfrenta desafios do cotidiano enquanto expressa seu amor pelo futebol feminino. O filme também destaca o bairro Capitão Eduardo, cuja equipe local ilustra a ideia de coletividade que tem se perdido com o tempo, enfatizando a essência comunitária que outrora caracterizava o futebol de várzea.

