Dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, 13 têm dívidas em atraso, sendo que 9 acumulavam salários de jogadores e funcionários pendentes até junho. Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Internacional, Santos, São Paulo e Vitória estão entre os clubes que enfrentam essa situação.
Na Série B, 11 clubes também reportaram atrasos em salários, incluindo América-MG, Atlético-GO, Avaí, Ceará, Criciúma, Cuiabá, Fortaleza, Náutico, Ponte Preta, Sport e Vila Nova. Os dados foram fornecidos pela Anserf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), que monitora as finanças dos clubes e foi criada pela CBF no início do ano.
Embora o Athletico-PR não tenha relatado atrasos a seus jogadores e funcionários, a equipe possui pendências relacionadas a valores de transferências a outros clubes. Por outro lado, Vasco, Coritiba e Remo estão enfrentando atrasos referentes a impostos devidos ao poder público.
Atualmente, 10 clubes da Série A estão em recuperação judicial ou em planos de pagamento, enquanto na Série B, o Goiás enfrenta dívidas tributárias. Além disso, muitos clubes que relataram pendências com salários também têm dívidas relacionadas a transferências.
Dívidas nos Clubes da Série A e B
Pelas informações da Anserf, as dívidas totais dos clubes das Séries A e B somam cerca de R$ 20 bilhões. Os 20 clubes da Série A devem aproximadamente R$ 17,34 bilhões, com o Atlético-MG sendo o mais endividado, com R$ 2,21 bilhões. O Corinthians vem na sequência, devendo R$ 2,08 bilhões.
Entre os times da Série B, as dívidas totalizam R$ 2,65 bilhões, com o Sport e o Náutico liderando as pendências, com R$ 324 milhões e R$ 291 milhões, respectivamente.
Perspectivas e Riscos para o Futebol Brasileiro
O especialista em finanças do futebol, Moises Assayag, alerta que os atrasos e o crescimento das dívidas denotam uma crise financeira que pode levar à insolvência dos clubes. Para ele, uma reforma na gestão e governança dos clubes é necessária para acabar com a geração de déficits recorrentes.
Eduardo Carlezzo, advogado especializado, sugere que as regras de fair play financeiro precisam ser aplicadas rigorosamente a partir de 30 de novembro, data em que termina o período de transição para as dívidas anteriores a 2026. Caso contrário, a credibilidade das normas pode ser comprometida.
O fair play financeiro brasileiro, anunciado em novembro de 2025, terá quatro pilares principais: controle de dívidas em atraso, equilíbrio operacional, controle de custos com elenco e capacidade de endividamento de curto prazo. As avaliações ocorrerão três vezes ao ano, e as regras de transferência devem ser registradas em um sistema desenvolvido pela CBF.

