Diego Souza, técnico do Joinville, teve seu registro cancelado pela CBF nesta quinta-feira (8). A ação é uma consequência da investigação sobre a venda de licenças falsas comandada por Alejandro Mancuso.
Anunciado pelo Joinville em agosto, Diego Souza, que encerrou a carreira como jogador em 2023, é acusado de ter obtido sua licença através desse esquema fraudulento. Ele alega que não tinha conhecimento de que a licença era falsa.
Diego Souza, ex-jogador com passagens por diversos clubes brasileiros, tomou o comando do Joinville em agosto de 2026, em sua primeira experiência como treinador profissional. Durante seu tempo à frente da equipe, o clube disputou cinco jogos na Copa Santa Catarina, conquistando três vitórias e sofrendo duas derrotas. Com a eliminação na Série D do Campeonato Brasileiro, essa é a única competição remanescente para o Joinville até o fim da temporada.
Embora o registro tenha sido cancelado, Diego Souza continuará realizando os treinos, mas não poderá assinar súmulas de jogos. A prática permite que um profissional licenciado do clube assine os documentos, algo comum no futebol brasileiro.
A investigação e o esquema das licenças falsas
O esquema de venda de licenças falsas foi revelado pelo portal “Uol”, que destacou como jogadores e ex-jogadores foram abordados com a promessa de obter diplomas da Associação de Técnicos de Futebol Argentino (ATFA) sem seguir a formação regular necessária.
Segundo o “Uol”, o esquema prometia entregar, em até 10 dias, quatro tipos de licenças: Pro (internacional), A (profissional), B e C (base). Os interessados eram solicitados a realizar uma transferência de cerca de R$ 100 mil para a obtenção dos documentos.
A operação tem ligação com Alejandro Mancuso, ex-volante de Flamengo, Palmeiras, Boca Juniors e da Seleção Argentina, e envolveu jogadores renomados como Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo e Alex. Mancuso, no entanto, negou ter vendido licenças de treinador. A ATFA informou que os documentos fornecidos por ele são falsos e que ele não tem vínculo com a entidade.
No Brasil, a Justiça Federal investigou a emissão irregular de diplomas e licenças para ex-jogadores estrangeiros, mas o Ministério Público pediu o arquivamento do caso por falta de provas concretas.
O processo de formação para as licenças na ATFA leva três anos, iniciando pela licença C, que é a de menor grau, seguindo até a Pro. Os cursos têm duração entre seis e 13 meses.

