O sistema semiautomático de impedimento da Copa de 2026
A tecnologia de identificação de impedimentos para a Copa do Mundo de 2026 vai além da arbitragem e serve como um exemplo de como sistemas digitais precisam funcionar de modo integrado para garantir resultados confiáveis. O arquiteto de soluções em nuvem, Obede Bessa Rocha da Silva, destaca que a capacidade de operar sem falhas depende do monitoramento e da interação entre os diferentes componentes técnicos.
Bessa, que atualmente vive na Flórida, analisa os desafios de monitoramento e continuidade operacional em ambientes tecnológicos complexos. Segundo ele, a experiência no futebol ilustra questões que também aparecem em sistemas digitais utilizados por empresas.
“Em operações em tempo real, não basta que um sistema esteja disponível. É preciso considerar o que acontece se um componente falhar ou se houver atraso na comunicação. Conceitos como redundância e alta disponibilidade são fundamentais em ambientes críticos”, explica o especialista.
Como funciona a tecnologia de impedimento da Copa de 2026
A FIFA introduzirá uma versão avançada da tecnologia semiautomática de impedimento que combina câmeras de rastreamento com dados de posição dos jogadores e sensores na bola TRIONDA. Cada estádio contará com 16 câmeras, gerando mais de 150 milhões de pontos de dados por partida. A bola possui um sensor que opera a 500 Hz, permitindo identificar o momento exato do toque e a posição dos jogadores no instante do passe.
O sistema enviará alertas diretos aos árbitros em situações claras de impedimento e utilizará modelos tridimensionais dos jogadores para facilitar a identificação das partes do corpo relevantes para a decisão.
Bessa ressalta que, embora a tecnologia automatize algumas análises, a decisão final ainda cabe à arbitragem. A FIFA prevê ferramentas alternativas para análise de impedimentos em caso de falhas no sistema.
É crucial que todos os componentes funcionem juntos; um atraso ou falha em qualquer parte da transmissão de dados pode comprometer o resultado. “A confiabilidade está no conjunto”, afirma Bessa.
Resiliência digital e gestão
O autor descreve em seu livro “A Nuvem Não Cai Sozinha” como a infraestrutura tecnológica deve se relacionar à continuidade operacional. Ele destaca que, para garantir resiliência, é necessário que as decisões de arquitetura estejam alinhadas com a gestão de riscos e a recuperação de serviços.
Recentemente, normas regulatórias, como o Regulamento de Resiliência Operacional Digital (DORA) na União Europeia e a Resolução CMN nº 4.893/2021 no Brasil, têm enfatizado a importância da preparação para incidentes e continuidade de serviços nas organizações.
EACP: organizando evidências sobre falhas
O Evidence-Aware Control Plane (EACP) é uma arquitetura desenvolvida por Bessa que visa organizar informações sobre eventos tecnológicos, facilitando a recuperação e rastreabilidade em sistemas complexos. A proposta é essencial para que os incidentes possam ser diagnosticados rapidamente, garantindo a continuidade do serviço em organizações.
Conclusão: Lições do futebol para a confiança digital
A confiabilidade dos sistemas digitais, como os utilizados em arbitragem e em organizações, depende de sua capacidade de operar em conjunto e de responder a incidentes. “A tecnologia mais eficiente é aquela que funciona de maneira quase invisível”, conclui Bessa, ressaltando a importância de um bom trabalho arquitetônico e de monitoramento.

