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Como o mangá “Captain Tsubasa” transformou o futebol no Japão e a conexão com o Brasil

A influência de "Captain Tsubasa" na popularização do futebol no Japão e sua conexão histórica com o Brasil moldaram gerações de jogadores e torcedores.

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Como o mangá "Captain Tsubasa" transformou o futebol no Japão e a conexão com o Brasil

O futebol japonês deve muito a figuras como Zico e Yoichi Takahashi, que desempenharam papéis fundamentais em sua popularização. Em 1991, Zico foi contratado pelo time que se tornaria o Kashima Antlers, marcando o início da ascensão da J-League. Zico treinou a seleção japonesa na Copa do Mundo de 2006, levando os nipônicos a uma derrota por 4 a 1 na fase de grupos. No entanto, o verdadeiro impulso para o futebol no Japão começou muito antes disso.

Antes de Zico, em 1981, o futebol no Japão era uma curiosidade pouco apreciada. O país era dominado por esportes como beisebol e artes marciais. Tudo mudou com a publicação do primeiro capítulo de Captain Tsubasa na revista Shōnen Jump por Yoichi Takahashi. Esta história sobre um garoto japonês, Tsubasa Ozora (ou Oliver Tsubasa no Brasil), que sonhava em se tornar o melhor jogador de futebol do mundo, impactou profundamente a cultura esportiva japonesa.

A narrativa cativou a juventude do Japão, com as crianças se inspirando em Tsubasa e aumentando o interesse pelo futebol. Em menos de dois anos, o anime estreou na televisão, atingindo mais de seis milhões de jovens espectadores. Era comum ouvir que havia mais crianças jogando futebol nas escolas do que beisebol.

A geração que cresceu assistindo Captain Tsubasa em seus primórdios foi a mesma que fundou o futebol profissional japonês com a criação da J-League em 1992 e a participação da seleção na Copa do Mundo de 1998. Jogadores como Hidetoshi Nakata e Shinji Kagawa declararam que cresceram influenciados pelo mangá e anime de Takahashi, que, por sua vez, incorporou uniformes reais dos clubes na obraem relação às novas equipes da liga.

O impacto de Captain Tsubasa também transbordou fronteiras. Ídolos como Lionel Messi e Andrés Iniesta mencionaram a série como um estímulo em suas carreiras, e até Sergio Agüero usou caneleiras com a estampa do Capitão Tsubasa. Desde 2023, o mangá acumulou mais de 90 milhões de cópias vendidas, consolidando-se como um dos mais queridos de todos os tempos.

A relação entre o Japão e o Brasil é íntima, com Takahashi sendo um fã do futebol brasileiro. O protagonista Tsubasa tem como mentor um ex-jogador brasileiro chamado Roberto Hongo (ou Roberto Maravilha), que ensina a ele os truques do “jeitinho brasileiro”. O Brasil é retratado no mangá como o grande paradigma de futebol.

Além disso, um fato real surpreendente ajudou a cimentar essa conexão: em 1974, Pelé conheceu Musashi Mizushima, um garoto japonês, e o convenceu a ir ao Brasil para desenvolver sua carreira. Mizushima se tornou um dos primeiros japoneses a atuar no Brasil, passando pela escolinha do São Paulo e se tornando capitão nas categorias de base antes de retornar ao Japão após uma breve passagem pelo futebol profissional.

Assim, as trajetórias de Takahashi e Mizushima mostram que a paixão pelo futebol tem raízes profundas no Japão, combinando história, cultura e a influência direta do Brasil, criando um legado que perdura até hoje.
Na ficção, a saga culmina em um campeonato mundial juvenil, onde o Japão vence por 3 a 2. O jogo está agendado para segunda-feira, 29, em Houston, e não seria surpresa se os torcedores exibissem bandeiras com a imagem de Tsubasa, assim como fizeram em 2018.

Bruno Tavares

Redator Esportivo e Empreendedor Digital

Torcedor do São Paulo - FC

Bruno Tavares é redator esportivo, empreendedor digital e especialista em produção de conteúdo para a internet. No Futebol News, acompanha o futebol brasileiro e internacional, a Seleção Brasileira, os bastidores dos clubes e o mercado da bola, produzindo notícias claras, diretas e relevantes para o torcedor. Também atua com SEO e estratégias digitais desde 2008.

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