Clubes da Premier League expressaram preocupação com possíveis interferências políticas no processo envolvendo o Manchester City. Segundo a BBC, dirigentes se mostraram surpresos com declarações do primeiro-ministro britânico Andy Burnham, que demonstrou apreensão sobre a possibilidade de os proprietários do clube deixarem a equipe após a condenação por violações das regras financeiras da liga.
Burnham afirmou que ficaria “realmente preocupado” caso os donos do Manchester City decidissem vender o clube, o que gerou questionamentos entre dirigentes de outras equipes sobre o motivo dessas manifestações e o potencial impacto no processo de recurso do City.
Dirigentes questionam declarações de Burnham
Fontes consultadas pela BBC consideraram os comentários do primeiro-ministro inadequados e expressaram receios sobre a influência política em um processo que é, formalmente, independente. Um dirigente mencionou que há preocupação entre os clubes, já que todos conhecem a dimensão geopolítica dos investimentos no clube, mas ressaltou que a questão envolve especificamente as regras do futebol.
— Todos teriam algum grau de preocupação. Acredito que todos estejam cientes da geopolítica. Entendemos o investimento que eles fizeram no nosso país. Isso, porém, é diferente; estamos falando do nosso esporte nacional, disse ele.
Contudo, outro dirigente argumentou que a repercussão sobre a relação entre Burnham e o Manchester City tornaria qualquer interferência política praticamente impossível.
Primeiro-ministro diz que processo deve ser independente
Após a repercussão de suas declarações, Burnham defendeu a seriedade do processo que envolve a condenação do Manchester City, reiterando que ele deve seguir de maneira independente.
— Não diminui a seriedade das conclusões. Elas precisam ser consideradas com cuidado, e o processo deve ser totalmente independente. Acredito que todos devem permitir que o processo siga seu curso, afirmou o primeiro-ministro.
Burnham também destacou a importância de separar as questões esportivas dos investimentos mais amplos que envolvem a cidade de Manchester.
O governo britânico reforçou que ninguém está acima das regras e que o processo independente deve ser respeitado. Um comunicado do gabinete do primeiro-ministro enfatizou que, caso irregularidades sejam constatadas, os responsáveis deverão sofrer as devidas consequências.
Caso Manchester City segue em processo de recurso
O Manchester City foi considerado culpado por uma comissão independente após uma audiência de 42 dias em 2024. A decisão foi anunciada no mês passado, e uma audiência específica para definir possíveis sanções ainda será realizada.
O clube recorreu da decisão e nega irregularidades, com o recurso sendo analisado por uma junta de apelação independente distinta da comissão responsável pelo julgamento inicial.
A disputa ganhou dimensão política devido à relação de Burnham com o clube. Antes de se tornar primeiro-ministro, ele foi prefeito da região metropolitana de Manchester entre 2017 e 2026, defendendo os investimentos do Golfo como forma de impulsionar a economia local.
As declarações recentes trouxeram à tona discussões sobre a relação entre o investimento dos proprietários do Manchester City e o desenvolvimento econômico da cidade, enquanto dirigentes e autoridades britânicas reafirmam que a questão esportiva deve ser separada de interesses econômicos e diplomáticos entre o Reino Unido e os Emirados Árabes Unidos.

