A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou, nesta segunda-feira (21), um plano de reestruturação para as Séries A e B, visando aumentar o espaço para atletas jovens no futebol nacional. O projeto, aprovado em reunião com clubes e federações estaduais, prevê duas principais alterações até 2030: a redução gradual do limite de jogadores estrangeiros relacionados por partida e a implementação de cotas para atletas sub-23 nas listas finais de inscritos.
A CBF destacou que a medida se justifica por dados que mostram um envelhecimento acelerado do Campeonato Brasileiro e uma queda significativa nos minutos jogados por jogadores mais jovens. Desde 2020, a participação de atletas sub-23 nos minutos disputados na Série A caiu de 28,3% para apenas 11,5% em 2026, enquanto o uso de estrangeiros com mais de 23 anos triplicou no mesmo período.
Corte gradual no limite de estrangeiros
O limite atual de 9 jogadores estrangeiros por jogo será reduzido progressivamente para 5 até 2030. A CBF esclareceu que essa adequação não impactará drasticamente os clubes, dado que, até a 22ª rodada do Brasileirão 2026, 94% das partidas tiveram menos de 9 estrangeiros relacionados. Apenas 26 das 430 formações analisadas (cerca de 6%) utilizaram o teto máximo permitido.
Cotas obrigatórias para atletas sub-23
A partir de 2027, a lista fixa de 50 inscritos por clube incluirá cotas exclusivas para atletas com até 23 anos. O escalonamento das vagas será o seguinte:
- 2027: 30 vagas gerais + 20 vagas sub-23
- 2028: 29 vagas gerais + 21 vagas sub-23
- 2029: 27 vagas gerais + 23 vagas sub-23
- 2030: 25 vagas gerais + 25 vagas sub-23
Essa exigência atende a pedidos de treinadores que afirmam que a presença excessiva de atletas estrangeiros compromete a transição de promessas do sub-20 para os elencos profissionais.
Métricas físicas e comparação com a Europa
A CBF comparou os índices do Brasileirão com os das cinco principais ligas da Europa e constatou que a Série A tem a maior média de idade do grupo analisado (28,5 anos) e a menor distância percorrida em corridas de alta intensidade, com média de apenas 685 metros por jogo. Atletas entre 18 e 24 anos apresentam melhores índices de intensidade, mas têm menos oportunidades em campo no Brasil, onde o tempo total concedido a sub-23 é de apenas 13,8%, enquanto nas ligas europeias varia entre 28% e 38%.
Com essas mudanças, a CBF busca aumentar o ritmo do futebol nacional, alinhar o Campeonato Brasileiro às exigências do cenário internacional e garantir mercado de trabalho para as categorias de base locais.



