A torcida brasileira demonstra um forte sentimento anti-argentino, especialmente durante a Copa do Mundo. Esse ressentimento parece se basear em uma profunda inveja das conquistas argentinas que contrastam com o momento negativo do futebol brasileiro.
Atualmente, a Argentina passa pelo seu maior ciclo de sucesso no futebol, e muitos brasileiros gostariam de estar na situação dos rivais. O desejo de ver a seleção de Messi fracassar serve como um consolo para a dor da comparação com as conquistas do time argentino.
No entanto, a obsessão em ser “anti” muitas vezes pode levar à perda de iniciativa e protagonismo. Em vez de se concentrar em depreciar os concorrentes, seria mais produtivo reconhecer os sucessos alheios e avaliar onde o Brasil pode corrigir seus próprios erros.
Na final da Copa do Mundo que se aproxima, caso a Argentina vença, haverá muito o que discutir sobre a equipe de Scaloni e Messi. Contudo, é essencial também olhar para a Espanha, que mostrou um futebol equilibrado ao eliminar a França, um dos favoritos.
Vale lembrar que cinco anos atrás, o Brasil conquistou sua segunda medalha de ouro olímpica em futebol ao vencer a Espanha. Naquele time, o técnico Luis de la Fuente agora comanda a seleção principal espanhola, enquanto poucos jogadores daquela final ainda fazem parte do atual elenco brasileiro.
Esse contraste reflete uma cultura no Brasil marcada por improvisos e imediatismos, que pode estar relacionada às recentes derrotas. A imprensa também tem sua parcela de responsabilidade, frequentemente buscando soluções rápidas e sacrificando a racionalidade por ilusões passageiras.
Atualmente, a final da Copa do Mundo dos Estados Unidos será disputada por treinadores que emergiram das seleções de base. Esse fato indica talvez que é hora de assumir que o Brasil não é mais o país do futebol que foi. O reconhecimento da situação atual é um passo fundamental para a reconstrução da trajetória vencedora do futebol brasileiro.
A posição do Brasil no cenário global do futebol atualmente é a de um time que se encontra na segunda ou terceira linha. Reconhecer isso não é motivo de vergonha; o verdadeiro erro seria adiar as ações necessárias para voltar à elite do futebol mundial.
É hora de transformar essa inveja em força produtiva para o futuro do nosso futebol.

