O Benfica foi eleito pelo CIES Football Observatory como o clube com a melhor categoria de base do mundo e também lidera o ranking global de saldo de transferências entre as temporadas 2021/22 e 2025/26. Os dados foram divulgados em outubro de 2026.
O clube português apresentou um saldo positivo de € 346 milhões no mercado de transferências no período de cinco temporadas. A receita total com negociações chegou a € 811 milhões, enquanto os gastos com contratações somaram € 465 milhões. Com isso, o Benfica se destaca à frente do LOSC Lille, segundo colocado com € 273 milhões, e do Ajax, terceiro com € 270 milhões.
O ranking de melhores categorias de base avalia três indicadores: o número de jogadores formados por cada clube que atuam nas 49 ligas analisadas, o nível esportivo das competições em que esses jogadores participam e os minutos jogados ao longo do último ano. Para ser considerado formado por um clube, o atleta deve ter permanecido na equipe por pelo menos três temporadas entre os 15 e os 21 anos.
O Benfica conta com 93 jogadores formados em sua base atuando nas ligas analisadas, dos quais quatro defendem o próprio clube, e 14 atuam nas cinco principais ligas europeias.
Vendas milionárias sustentam modelo do Benfica
A estratégia de identificação, desenvolvimento e valorização de talentos está refletida nos números de transferências do clube. Das dez maiores vendas da história do Benfica, oito foram feitas entre as temporadas 2019/20 e 2025/26. Entre os principais destaques estão João Félix, negociado com o Atlético de Madrid por € 127,2 milhões; Enzo Fernández, transferido para o Chelsea por € 121 milhões; e Darwin Núñez, vendido ao Liverpool por € 85 milhões.
Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo, ressalta que esses resultados refletem uma abordagem estruturada. “Ganhar o prêmio de melhor categoria de base do mundo e liderar o ranking global de saldo de transferências é o reflexo de um trabalho integrado que une inteligência de mercado, metodologia de ponta e uma expertise comercial para negociar”, afirma.
Frota complementa que, apesar da missão principal da base ser formar atletas para o time principal, o Benfica demonstra que, se bem trabalhada, a formação pode ser uma solução para a saúde econômica e competitiva de um clube a longo prazo.
O CEO da P&P Sports Management, Claudio Fiorito, destaca a importância da estratégia institucional. “Identificar talentos, desenvolver suas capacidades e planejar os próximos passos da carreira são fatores que contribuem para a valorização dos jogadores. Em um mercado cada vez mais competitivo, o trabalho de gestão é fundamental”, afirma Fiorito.
Moises Assayag, especialista em finanças do futebol, alerta sobre os desafios que acompanham o sucesso do modelo. Com o saldo de € 346 milhões em cinco temporadas, ele ressalta a necessidade de administrar esses recursos para sustentar a operação, financiar novos investimentos e manter a competitividade esportiva.

