Os contratos de transmissão firmados pelos clubes do Campeonato Brasileiro, por meio da FFU (Futebol Forte União) e da Libra, geram preocupação na CBF. Os acordos de direitos de transmissão com a TV Globo atrelam parte da remuneração dos blocos ao número de clubes na Série A. Assim, o rebaixamento de equipes pode impactar diretamente nas finanças.
Restam quatro rodadas para o fim do Brasileirão e o receio da CBF é que clubes com permanência garantida na Série A possam atuar em benefício de outros que estão sob risco de rebaixamento, para evitar perdas financeiras ao seu bloco.
O contrato da FFU com a emissora prevê um valor anual de R$ 850 milhões para 12 clubes. Cada clube a menos reduz esse montante em R$ 100 milhões, e o contrário também é verdadeiro: a cada novo integrante da elite há um acréscimo conforme os critérios contratuais. Já na Libra, a referência é de nove clubes, com redução de 11% no valor total para cada representante a menos.
Esses ajustes não são repasses diretos a cada clube, mas sim alterações na remuneração coletiva dos blocos, que dividem os recursos conforme acordos internos. A partir de 2027, a FFU projeta destinar 85% dos direitos de transmissão aos clubes da Série A e 15% à Série B.
Até o momento, não há evidências de que clubes tenham atuado irregularmente para preservar a permanência de outros do mesmo bloco, nem que erros de jogadores sejam deliberados ou estejam conectados aos contratos de transmissão.
A proposta de criar uma liga única que reunisse os clubes em uma estrutura de comercialização e organização do campeonato está em discussão. Essa mudança poderia impactar o atual modelo de negociação dos direitos de transmissão e os critérios de distribuição dos recursos.
OUTRO LADO
A FFU declarou que seu modelo de remuneração foi concebido para preservar a autonomia esportiva dos clubes. A entidade argumenta que a diminuição dos valores repartidos entre os blocos ocorre de forma proporcional ao número de equipes, pois a permanência não garante necessariamente um ganho financeiro para os demais clubes.
A CBF informou que não se manifestará sobre a questão.
A TV Globo foi contatada para se posicionar sobre a preocupação da CBF com os contratos, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O texto será atualizado caso a emissora se pronuncie posteriormente.
Eis a íntegra da nota da FFU:
“O Condomínio Futebol Forte União (CFU) considera legítimo o debate sobre conflitos de interesses no futebol, desde que ele leve em conta o funcionamento real dos contratos. No caso da comercialização coletiva dos direitos de transmissão, o modelo foi desenhado para preservar a autonomia esportiva dos clubes. Um dos mecanismos é o ajuste contratual conforme o número de clubes de cada grupo na Série A, que muda a cada temporada. O valor se ajusta para manter a proporcionalidade: com menos clubes, a receita diminui, mas também é dividida entre menos entidades. A permanência na primeira divisão não gera, necessariamente, ganhos financeiros para as demais equipes. A distribuição é feita com base em critérios pré-estabelecidos: 45% de forma igualitária, 30% por desempenho esportivo e 25% por audiência. Com isso, resultados desfavoráveis podem reduzir os valores recebidos pelo próprio clube. O CFU ressalta que sua atuação se concentra na administração dos direitos comerciais compartilhados. As atribuições de organização do campeonato, definição de regulamentos e arbitragem permanecem em esferas próprias.”

